A cigarrinha-do-milho afeta as lavouras desde setembro de 2020 e, de lá para cá, a situação só piorou. A praga não é nova, mas é a primeira vez que compromete tanto as plantações. “Ela foi identificada há mais de quatro anos, mas não em uma quantidade populacional tão grande. Agora está causando estragos praticamente em todas as áreas de cultivo do Estado”, afirma o engenheiro.
 
 
O nome científico da cigarrinha-do-milho é Dalbulus Maidis e às vezes ela é confundida com pequenas borboletas ou moscas brancas. O engenheiro agrônomo da Copérdia, Jean Antonietti, explica que o dano direto são lesões como inseto sugador, que é quando ela se alimenta da seiva das plantas. “O problema maior é a transmissão de fitopatógenos”, destaca. O resultado será o enfezamento pálido, vermelho e do raiado fino das folhas.

 
Antonietti alerta que nem sempre o produtor vai perceber os danos quando notar a presença dos insetos. “O enfezamento pode levar de 20 a 30 dias para aparecer e as consequências são múltiplas, resultando em queda violenta na produtividade”.

 
A maior dificuldade é que os produtos existentes para controle não estão sendo tão eficientes na eliminação da praga. Há um controle do avanço populacional, mas a cigarrinha continua existindo. Antonietti ressalta que não é recomendado esperar o enfezamento ser visível para atacar a praga. “Quando houver um nível baixo de infestação é a hora de iniciar com as aplicações”, orienta.

 
Nas plantas afetadas pelo enfezamento, que é uma doença sistêmica do milho, a produção dos grãos pode diminuir até 70%. O comprometimento da produtividade vai depender do percentual de plantas doentes.

 
 
Principais dicas para controlara proliferação de cigarrinhas

 
A cigarrinha-do-milho é um vetor de doenças como o vírus do raiado fino e dois milicutes, sendo estes os agentes causadores do enfezamento do milho. A praga tem tirado o sono de técnicos e produtores por ser de difícil controle e causar danos elevados às lavouras. Por isso exige cuidados ainda mais rígidos com o manejo das plantações. O setor técnico da Copérdia elencou as principais orientações para amenizar a população do inseto. Confira:
 
 
1 – O primeiro passo é eliminar todos os vestígios de milho tigueras, os popularmente chamados de guachos. Essas plantas ficam na lavoura entre uma safra e outra e vão servir de criadouro para as cigarrinhas.
Se o milho que nasce voluntariamente não for eliminado, a população de pragas vai continuar aumentando cada vez mais e migrar para as plantas das lavouras seguintes, ou até mesmo dos vizinhos. Uma das alternativas para eliminar o milho guacho é fazendo a dessecação.
 
2 – Escolher híbridos mais tolerantes. Na hora de comprar as sementes para o plantio é importante que os produtores conversem com técnicos sobre o assunto. Infelizmente são poucas as opções de variedades tolerantes às cigarrinhas, mas escolher as sementes de híbridos menos suscetíveis pode contribuir para ter menos perda de produtividade.
 
3 – Deixar o solo um período livre, sem o plantio de milho contribui para quebrar o clico de vida da cigarrinha, que se reproduz exclusivamente no milho. Sem a planta para se reproduzir, naturalmente a população de cigarrinhas vai diminuir.
 
4 – Fazer o controle químico e biológico corretamente. Mesmo que não haja um produto com poder para eliminar totalmente a cigarrinha-do-milho, o controle químico e biológico é indispensável para conter o avanço da praga. Os produtores devem ficar atentos ao momento de iniciar os manejos, já que quanto mais cedo as plantas forem infectadas maiores serão os danos. Aplicações sequenciais e rotação de ativos são recomendadas. Um profissional técnico no assunto pode ajudar com essas definições.

Uma resposta

  1. Não bastasse a estiagem do ano passado, uma nova praga resolveu atormentar os produtores rurais. A cigarrinha-do-milho é uma velha conhecida, mas nesta safra pegou pesado e está fazendo despencar a produtividade. O engenheiro agrônomo da Copérdia, Paulo Rogério Pereira, diz que em lavouras que seriam colhidas 180 ou 200 sacas por hectare, não vão passar de 60.

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